terça-feira, 13 de setembro de 2011

O HOMEM, O MACACO E O NEANDERTHAL

Prof. Dr. Svante Pääbo Director, Department of Genetics Max Planck Institute for Evolutionary Anthropology NÓS E OS MACACOS Um dos diretores do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária, em Leipzig, Alemanha, Svante Pääbo está entre os mais importantes e influentes cientistas da pesquisa genômica. De vocação multidisciplinar, durante a graduação esse sueco de 45 anos e maneiras tímidas também estudou história da ciência, egiptologia e russo, antes de tornar-se uma referência na área de biologia e genética evolucionária. Alguns de seus trabalhos recentes, que comparam fragmentos do DNA humano ao de outras espécies, produziram grande impacto. Em 1997, estudos de uma equipe sob seu comando comprovaram, de forma definitiva, que o ser humano não descende do homem de Neanderthal, espécie de hominídeo extinta há cerca de 30 mil anos. Quando esteve no final de março no Brasil, para participar da Brazilian International Genome Conference, Pääbo falou sobre pesquisas desenvolvidas no Instituto Max Planck que compararam o DNA humano ao do chimpanzé (Pan troglodytes), a espécie animal cujo material genético mais se assemelha ao do Homo sapiens. Mesmo sem ter em mãos a seqüência completa do genoma desse primata - projeto ainda envolto em incertezas e sem data e financiamento para ficar pronto -, os cientistas estimam que a ordem dos nucleotídeos (bases) presentes nos DNAs do homem e do chimpanzé é idêntica em cerca de 99% dos casos. Em termos constitutivos, portanto, apenas 1% do código genético humano parece ser distinto do genoma desse macaco. Para Pääbo, no entanto, o que nos torna humanos - e não chimpanzés - não é apenas essa pequena fração de DNA não compartilhada com os primatas mais próximos de nós. Mas sobretudo a forma única, peculiar ao Homo sapiens, de usar os genes comuns às duas espécies. Num experimento conduzido no Instituto Max Planck, o pesquisador analisou o padrão de expressão de 20 mil genes - dois terços de nosso total - no sangue e em tecidos do cérebro e do fígado do homem e do chimpanzé. Diferenças significativas na maneira de utilizar esses genes foram encontradas somente nos tecidos cerebrais. Por isso, o biólogo evolucionário acredita que esse órgão seja o depositário dos segredos que nos fazem humanos. Para desenvolver essa teoria e, eventualmente, comprová-la, Pääbo gostaria que o seqüenciamento do genoma do chimpanzé fosse levado adiante o mais rápido possível. "A lentidão da comunidade científica em apoiar a idéia de um projeto genoma do chimpanzé talvez se explique por um desconforto subconsciente nosso diante do que pode surgir dessas comparações", diz o pesquisador sueco, em entrevista exclusiva ao jornalista Marcos Pivetta. Do ponto de vista genético, não é possível dizer o que nos torna humanos e não chimpanzés? Ainda não. Precisamos seqüenciar o genoma do chimpanzé, que terá de ser estudado a partir de uma perspectiva funcional, para sabermos quantos de seus genes são utilizadose como são.O ideal seria realizar esse tipo de análise durante o processo de desenvolvimento de um chimpanzé, o que talvez não seja possível. Gostaria de estudar a expressão de genes durante o desenvolvimento do cérebro de um desses animais. É possível que, no final dessas pesquisas a que me referi, nunca tenhamos um entendimento completo de todo o processo que nos torna humanos, mas poderemos ter alguma idéia dos fundamentos desse processo. Poderemos ter uma noção dos primeiros passos, dos pré-requisitos genéticos que nos fazem diferentes de todas as outras espécies. Não se pode esquecer, no entanto, que a condição humana, além de depender da carga genética, também está ligada a fatores culturais e de socialização. Há muitas coisas que nos tornam humanos: a morfologia, como somos do ponto de vista da aparência, a língua e outras habilidades cognitivas que não estão muito bem definidas. Ficarei contente se durante aminha vida uma ou duas dessas coisas forem desvendadas. A primatologia, no entanto, nos mostra que muitas das supostas diferenças absolutas entre o homem e o chimpanzé são, na verdade, distinções de gradação. Como assim? Vou dar alguns exemplos. Há alguns anos, um estudo científico mostrou que grupos vizinhos de chimpanzés, vivendo num mesmo lugar, se alimentavam de formas diferentes. Eram todos chimpanzés, comendo a mesma comida (ramos de árvore), mas de maneira distinta. Claramente o que aconteceu nesse local foi o seguinte: algum chimpanzé inventou uma forma diferente, mais eficiente, de comer, que foi adotada pelos outros membros do grupo e, depois, passada de geração em geração. Algo semelhante acontece com os humanos. Num lugar do planeta, 100% usam pauzinhos para comer. Em outro, 100% das pessoas comem com garfo e faca. São casos distintos de evolução cultural. É lógico que a evolução humana é mais complexa (do que a dos chimpanzés). Em que sentido? Ela muda mais rapidamente. Mas isso mostra que ela não é uma diferença absoluta entre as duas espécies. O mesmo acontece com a linguagem. Chimpanzés podem aprender muito. Podem pronunciar uma palavra, até juntar duas palavras. Mas, ainda que muito treinados, eles não vão dominar a nossa linguagem sofisticada. Isso, no entanto, não quer dizer que a língua seja uma diferença absoluta entre o homem e o chimpanzé. É novamente mais um tipo de diferença de gradação. Esse tipo de coisa você aprende quando começa a estudar a fundo os chimpanzés. Hoje, diante de dois fragmentos de DNAs, um de um ser humano e outro de um chimpanzé, é possível dizer a origem de cada uma dessas seqüências? Não é possível. Elas são muito semelhantes. Sem muita informação sobre as variações desse pedaço de DNA, não é possível dizer se é um homem ou um chimpanzé. Esses dois fragmentos poderiam ser de uma espécie apenas. O número de genes dos chimpanzés deve ser semelhante ao dos humanos? Certamente, o número de genes nos chimpanzés deve ser muito próximo do encontrado nos humanos. Pode haver alguns genes duplicados ou perdidos. Mas, até agora, todos os 5 mil cDNAs (cópia complementar do DNA original) de chimpanzés seqüenciados encontraram seu correspondente nos cDNAs de humanos. Em termos evolutivos, faz alguma diferença o ser humano ter 30 mil ou 60 mil genes? Acho que não. Quando se divulgou a seqüência do genoma humano, foi dito que os 30 mil genes eram um sinalda complexidade de como usamos esses genes. Mas, se tivéssemos 60 mil genes, isso não quer dizer que não seríamos complexos. Há algum prazo para terminar o genoma do chimpanzé? Não. Não se sabe ao certo nem quem fará todo o trabalho. A menos que surja alguém com dinheiro, esse projeto, que deve custar cerca de US$ 60 milhões, demorará anos para ser terminado. Há, no momento, uma iniciativa em curso no Japão sobre o genoma do chimpanzé. Em breve, deverá haver dinheiro, vindo do Japão e da Alemanha, para seqüenciar os cromossomos 22 e 23 do chimpanzé, que correspondem aos de número 21 e 22 no homem. Por que o senhor diz que o seqüenciamento do genoma do chimpanzé caminha devagar devido a um receio das comparações e conclusões que podem surgir disso? Para quem é um cristão fervoroso, quem acredita que a criação descrita palavra por palavra na Bíblia é verdadeira, ver que os chimpanzés são tão próximos de nós é uma conclusão perturbadora. Nos Estados Unidos, isso pode ser um tema importante. As diferenças entre o homem e os grandes macacos podem revelar os fundamentos genéticos de nossa rápida evolução cultural e expansão geográfica, que começou entre 150 mil e 50 mil anos atrás e levou à nossa atual dominação autoritária da Terra. A percepção de que um ou alguns acidentes genéticos tornaram a história humana possível vai nos propiciar um novo conjunto de indagações filosóficas sobre as quais teremos de pensar. O estudo comparativo dos genomas do homem e de outras espécies levará então a uma revisão da história de nossa espécie? Provavelmente, não teremos de reescrevê-la, mas teremos uma espécie de história adicional, um tipo de história genômica. Vamos poder dizer como nosso genoma está distribuído no mundo, como somos diferentes de nossos parentes mais próximos no planeta. Vamos ter uma história adicional, diferente das fontes escritas e do material arqueológico e paleontológico. É importante ressaltar que a história genética não é a história da humanidade, mas apenas um aspecto dela. Qual será a maior contribuição dos estudos genômicos para essa nova forma de história? Num certo sentido, eles nos darão uma forma mais objetiva de olhar nossa história genética. Podem produzir bons insights sobre como pensamos nossa espécie. Um exemplo desse tipo de insight é o resultado de trabalhos como o de Sérgio Danilo Pena (pesquisador da Universidade Federal de Minas Gerais). Ele mostrou que, apesar de muitos brasileiros se dizerem brancos, seu genoma pode ser majoritariamente de origem africana. As pessoas ainda se surpreendem com as origens africanas da humanidade? No fundo, a informação proveniente do estudo de genomas e da ciência em geral não vai acabar com o racismo ou o preconceito. O melhor que a informação pode fazer é não estimular esse tipo de sentimento e mostrarcomo são as coisas. Acho que é saudável ver que somos todos muito parecidos, que somos uma mistura, que há pouca variação. Isso contribuirá para mostrar que somos todos muito semelhantes, mas não vai fazer acabar o preconceito. A luta contra o preconceitotem mais a ver com políticas públicas, com a forma como você educa as pessoas nas escolas, com o jeito como a imprensa trata desse assunto. Entre os seres humanos, o conceito de raça faz sentido? Ele não faz sentido do ponto de vista científico. Sempre soubemos que a noção de raça nunca fez sentido. Encontramos as mesmas seqüências de DNA em todo lugar do mundo. Se você está na Europa e caminha para o leste, onde é que as pessoas deixam de ser européias e começam a ser asiáticas? Isso é totalmente arbitrário. Isso é uma questão social. De certa forma, faz sentido trabalhar com o conceito de populações, apesar de a definição de população negra, por exemplo, também não ser muito clara. O senhor não se pergunta, de vez em quando, se toda essa ênfase dada às pesquisas genômicas não é um pouco exagerada? Claro que há algum exagero, como em tudo. Mas acho que esse ramo de pesquisa representa algo de muito fundamental, pois permite conhecermos a estrutura de cada genoma, o local dos genes nos cromossomos. É algo fundamental. Mas o senhor não acha que alguns pesquisadores se esquecem um pouco da influência das outras ciências no estudo do homem? Acho que, com o aumento no número de genomas seqüenciados, haverá um retorno à biologia básica. Quero dizer que, quando falamos de transcriptoma, de proteoma (o conjunto de proteínas de um organismo), estamos dando passos atrás até a fisiologia. Num certo sentido, quando falamos de proteoma estamos falando muito de fisiologia. Só que hoje as pessoas não usam esse termo. Entender como as proteínas trabalham, como influenciam as células e os organismos, isso é fisiologia. A genômica vai permear toda a biologia. FONTE: ON LINE PESQUISA FAPESP CIÊNCIA | ENTREVISTA SVANTE PÄÄBO Nós e os macacos Diretor do Instituto Max Planck de Antropologia Evolucionária pesquisa o que nos torna diferentes do chimpanzé Marcos Pivetta Edição Impressa 64 - Maio 2001

quarta-feira, 27 de julho de 2011

A Essência do Cristianismo” de Ludwig Feuerbach, Por José Ricardo Martins

A RELIGIÃO SOB UM OUTRO OLHAR:
Comentário sobre o livro A Essência do Cristianismo” de Ludwig Feuerbach.
Por José Ricardo Martins

“O solene desvelar dos tesouros ocultos do homem, a revelação de seus pensamentos íntimos, , a confissão pública de seus segredos de amor.”
“Como forem os pensamentos e a disposições do homem, assim será o seu Deus; quanto valor tiver um homem, exatamente isto e não mais, será o valor de seu Deus. Consciência de Deus é autoconsciência, conhecimento de Deus é autoconhecimento”.
“Deus é a mais alta subjetividade do homem, abstraída de si mesmo.”
“Este é o mistério da religião: o homem projeta o seu ser na objetividade e então se transforma a si mesmo num objeto face a esta imagem de si mesmo, assim convertida em sujeito.”
(Trechos de “A Essência do Cristianismo” de L. Feuerbach)

1. Introdução
Este artigo tenta expor as principais idéias do filósofo alemão Ludwig Feuerbach a respeito da religião. A religião, especialmente o cristianismo, foi o centro da atividade intelectual e da “perdição” do ousado filósofo que rompeu com o pensamento de seu mestre Hegel e transformou a religião num fenômeno antropológico, expressão da natureza humana.
Considera a religião a essência imediata do ser humano, acreditando assim poder explicitar os "tesouros escondidos no homem". Reduz atributos divinos da teologia a atributos humanos da antropologia. Sua filosofia procura transformar a teologia de Hegel em uma antropologia baseada no mesmo princípio, a unidade do limite e do infinito. Compondo a esquerda hegeliana, Feuerbach defende a idéia de que para Hegel a religião não é razão, e sim representação, sendo então redutível ao mito. Esta facção, em um primeiro momento, faz uso das idéias hegelianas dirigindo-as contra a teologia e a filosofia tradicional. Em uma segunda etapa, acaba por criticar as abstrações hegelianas em defesa do homem concreto, e a fé cristã em defesa de uma metafísica imanentista. Distancia-se de Hegel, entre outras coisas, ao eleger o homem concreto como sua prioridade e não a idéia de humanidade.

2. A Essência do Cristianismo
Em sua obra-prima, “A Essência do Cristianismo” , Feuerbach aborda o fenômeno religioso a partir do próprio homem.
“O homem se distingue do animal pela consciência.” Em outra passagem afirma: “Consciência é a característica de um ser perfeito”. O homem tem consciência de si através do objeto. Ou seja, o outro: o eu e o tu, na visão positivista.
A trindade humana - amor, razão e vontade - é a essência do próprio homem, é o homem completo:
- a força do pensamento é a luz do conhecimento, a razão;
- a força da vontade é a energia do caráter;
- a força do coração é o amor.
Querer, sentir e pensar são perfeições, essências, realidades... são infinitos, ilimitados. É ser consciente de si mesmo. É impossível, afirma Feuerbach nos remetendo à Descartes quando fala que Deus só pode ser um ser perfeitíssimo, ser consciente de uma perfeição como imperfeição; impossível sentir o sentimento como limitado, impossível pensar o pensamento como limitado.
Assim, o Ser Absoluto, o Deus do homem, é a sua própria essência. Feuerbach, já no início de sua obra, antropologiza a Trindade cristã em amor, razão e vontade, e que nada mais é do que a nossa própria essência. E a consciência disso é o que nos distingue dos animais. Amor, razão e vontade, essências do ser humano, são realidades ilimitadas, infinitas assim como Deus o é.
A antropologização segue seu curso em Feuerbach. O querer (a vontade) torna o homem infinito. O mesmo acontece com o sentir e o pensar que tornam o homem infinito e ilimitado, que são nossas construções de Deus. A consciência disso é autoconfirmação, auto-afirmação, que somos seres ilimitados e que projetamos tudo isso em Deus. Nossa educação cristã não permite que tomemos para nós adjetivos de tamanha grandeza. Não nos permite que possamos “conhecer mais que Deus” ou “se igualar a Deus”. Feuerbach, tornou-se maldito por ter ousado dizer que o que temos de melhor, de mais sublime, enfim nossa essência, dizemos que é Deus. Ou seja, projetamos nossa essência em Deus e nos esquecemos que isto somos nós mesmos, nos anulando. Por outro lado, ele também afirma que isto é positivo, pois faz nos lembrar e ter consciência do melhor de nós mesmos.
Feuerbach continua na linha cartesiana: “o divino só pode ser conhecido pelo divino”. Isto quer dizer: se não tivéssemos o divino em nós, não poderíamos falar, exprimir ou experimentar o divino. E o divino não é razão, é sentimento: “a essência divina que o sentimento percebe é em verdade apenas a essência do sentimento arrebatada e encantada consigo mesma – o sentimento embriagado de amor e felicidade”. O autor constata que fez-se do sentimento a parte principal da religião, bem como a essência objetiva dela. “O sentimento é transformado num órgão do infinito, da essência subjetiva da religião, o objeto da mesma perde seu valor objetivo”. E no objeto religioso a consciência coincide com a consciência de si mesmo, o seu íntimo. Já num objeto sensorial, a consciência está fora, e no religioso, o objeto está dentro do próprio homem, sendo sua essência. Assim, amparado em Agostinho que diz que “Deus é mais próximo, mais íntimo e por isso, mais facilmente reconhecível que as coisas sensoriais e corporais”, Feuerbach resume sua visão antropológica da religião:
“A consciência de Deus é a consciência que o homem tem de si mesmo; o conhecimento de Deus é o conhecimento que o homem tem de si mesmo. Pelo Deus conheces o homem e vice-versa pelo homem conheces o seu Deus; ambos são a mesma coisa. [...] A religião é uma revelação solene das preciosidades ocultas do homem, a confissão dos seus mais íntimos pensamentos...”
Nesse sentido, a religião tornou-se, para Feuerbach, uma idolatria, pois o homem adora a sua própria essência: “os predicados divinos são qualidades da essência humana” e “na religião, o homem ao relacionar-se com Deus, relaciona-se com a sua própria essência”.
Feuerbach percebe a necessidade existente no homem da religião – “o sentimento religioso é o mais alto sentimento de conveniência” - uma vez que ela lhe serve como alívio frente às angústias, à dor e ao sofrimento da existência, que a natureza somente provoca e não alivia. O homem é dependente da natureza para existir. A natureza é sentida como necessidade, e é ai que surge a religião, opondo-se entre o querer e o poder, pensamento e o ser. Diante da natureza, o homem sente-se limitado, finito, já a religião teria a possibilidade da onipotência e da infinitude de Deus para oferecer ao homem. Os desejos do homem estariam assim representados enquanto possibilidade na figura de Deus, que é a representação imaginária da realização de todos os desejos humanos, superando os limites que a natureza lhe impõe. Deus domina a natureza, pois para o homem, ele é quem a cria. Assim sendo, Feuerbach desloca a divindade de um Deus externo ao homem para o interior do próprio homem. Ele é o Deus dele mesmo, e diz: "O Ser Absoluto, o Deus do homem é o próprio ser do homem." Deus é então a consciência que o homem tem de sí mesmo, de seu ser. A exemplo disto, a perfeição divina nada mais é do que o desejo do homem de ser perfeito e a consciência que tem de si, enquanto um ser imperfeito. O amor, a crença, o desejo, etc., atribuídos a Deus, que segundo Feuerbach, deveriam voltar-se para o próprio homem e para seu igual. Acredita que o homem deveria acreditar nele mesmo. No entanto, este filósofo aponta um erro na religião, que é a ilusão que ela cria. Ao mesmo tempo que oferece um sentido de vida para o homem e uma forma de ele lidar com suas limitações, a religião acaba por distânciá-lo dele mesmo, exteriorizando a própria divindade.

3. Conclusão
Como vimos, para Feuerbach, o homem é quem cria Deus e não o contrário. Segundo o autor, a filosofia precisa dar conta deste homem como um todo, e não somente da razão que o compõe. Deve abraçar a religião, enquanto fato humano, considerando este homem em comunhão com outros homens, caminho este através do qual ele pode sentir-se livre e infinito. O autor acredita que somente a religião dá conta do homem em sua totalidade. Feuerbach sugere que a religião desempenha um importante papel na vida do homem concreto. Para ele, a consciência que o homem tem de Deus é a consciência que o homem tem de si. Acredita que para se conhecer um homem, basta conhecer seu Deus, já que na sua concepção, a religião, o Deus do homem, nada mais é do que a projeção da intimidade da essência do homem. Assim sendo, para Feuerbach o método da teologia é a antropologia, pois o homem deposita em seu Deus a sua essência.
Em sua radicalidade, torna-se patente em Feuerbach que a religião e mesmo o estado são institutos irracionais a serviço da racionalidade, pois revestem-se de um caráter racional para induzir “vulgo” à submissão.

O pensamento de Ludwig Feuerbach



No século 19, ouve uma grande proliferação dos ateus na Europa. Tido como principal filósofo contemporâneo ateu e um de seus mais notáveis difusores, o alemão Ludwig Feuerbach (1804 – 1872) chegou a influenciar o mais conhecido pensador ateu: Karl Marx. As idéias de Feuerbach têm como base que deus é a projeção do desejo de perfeição do homem. Assim, deus nada mais seria do que o próprio homem evoluído dentro de uma concepção divina. Na obra mais famosa do autor. A Essência Do Cristianismo, Feusrbach diz que o pensamento teológico, na verdade, é o desenvolvimento de um raciocínio em que “o homem cria deus a sua imagem e semelhança”.

A História do Pensamento Ateu

A historia do pensamento ateu é bastante difusa e, por isso, nada concentrada em único individuo ou lugar. No entanto, como muitos dos conceitos ocidentais, o primeiro relato de um pensador ateu ocorre na Grécia antiga, no século 4 antes de Cristo. A origem da palavra deste modo deriva do grego antigo, sendo o adjetivo atheos formado pelo prefixo a, dando o significado de “ausência”. O radical “teu”, derivado do radical theos, significa “deus”. Assim resultando o sentido de “sem deus”


Na Grécia, quem difundiu as idéias da ausência de deus foi o filosofo nascido na ilha de Samos em 341 a.c., Epicuro. Mesmo não sendo propriamente um ateu, levantou a questões de que os deuses nada mais são do que simples analogias das qualidades humanas. Durante seus estudos, Epicuro indagou a relação das pessoas com os deuses do Olimpo, pois, para ele se os deuses existissem, eles teriam mais com o que se preocupar em vez de criarem métodos de sofrimento para as pessoas.

Influenciado pelo epicurismo, o filósofo Carnéades, de Cirene (214 – 129 a.c.) chegou a dizer abertamente em público que os deuses não existiam. Na ocasião ele estava em Roma, enviado com mais dois outros filósofos para representar Atenas na cidade. A declaração do pensador foi durante uma conferência no senado romano e é considerada a primeira manifestação pública de ateísmo filosófico.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Carl Sagan



"Mesmo num exame superficial da História revela que nós, seres humanos, temos uma triste tendência para cometer os mesmos erros repetidas vezes. Temos medo dos desconhecidos ou de qualquer pessoa que seja um pouco diferente de nós. Quando ficamos assustados, começamos a ser agressivos para as pessoas que nos rodeiam. Temos botões de fácil acesso que, quando carregamos neles, libertam emoções poderosas. Podemos ser manipulados até extremos de insensatez por políticos espertos. Dêem-nos o tipo de chefe certo e, tal como o mais sugestionável paciente do terapeuta pela hipnose, faremos de bom grado quase tudo o que ele quer - mesmo coisas que sabemos serem erradas." Carl Sagan

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Albert Einstein




” a palavra de deus é para mim nada mais do que a expressão e o produto da fraqueza humana, a bíblia é uma coleção de lendas veneráveis,mas ainda assim primitivas e considerávelmente infantis” albert einstein em uma carta a eric gutkind